A proliferação de telas transformou a forma como as pessoas trabalham, estudam, compram e consomem informação, porém isso não suprimiu a presença dos materiais impressos. Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print, observa um setor em que o papel permanece presente em diversas experiências, principalmente quando uma mensagem precisa ser vista, tocada ou conservada. Nesse contexto, o desafio não consiste em optar entre físico e digital, mas em avaliar qual formato aporta melhores resultados para cada propósito.
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Por que o material físico provoca uma experiência diferente?
Uma tela apresenta informações de maneira rápida e prática, mas o contato com um material impresso envolve outros sentidos. Textura, espessura, acabamento, tamanho e maneira de manusear uma peça interferem na percepção de quem a recebe. Um cartão, catálogo, embalagem ou convite pode ser observado de forma diferente justamente porque existe uma dimensão física que não está presente em um arquivo digital. Essas características também permitem que o material seja percebido como um objeto, e não apenas como um suporte para determinada informação.
Dalmi Defanti apresenta que esse aspecto também interfere na forma como uma informação é apresentada. No ambiente digital, o conteúdo pode desaparecer rapidamente entre notificações, mensagens e outras publicações. No papel, a pessoa precisa lidar diretamente com aquele objeto, podendo folheá-lo, deixá-lo sobre uma mesa ou guardá-lo para consultar posteriormente. A possibilidade de manter o material por perto pode ser especialmente útil quando a informação precisa ser retomada em outro momento.
Isso não significa que o impresso seja automaticamente mais eficiente. Sua utilidade depende do contexto, da qualidade do conteúdo e da forma como o material foi produzido. A experiência física ganha relevância quando o objeto tem uma função clara e quando suas características ajudam a transmitir a mensagem. Sendo assim, a decisão de imprimir precisa partir do propósito da peça, e não apenas da preferência por um formato específico.
O papel pode fortalecer a comunicação de uma marca?
Materiais impressos podem participar da construção da identidade de uma empresa porque permitem trabalhar elementos visuais e físicos ao mesmo tempo. Tipografia, cores, imagens, formato e acabamento podem ser combinados para criar uma peça coerente com o posicionamento da marca. Tal como alude Dalmi Defanti, quando esses elementos seguem uma mesma lógica visual, diferentes materiais podem ser reconhecidos como parte de uma comunicação integrada.

Um relatório, por exemplo, pode transmitir uma proposta diferente quando apresentado em uma publicação cuidadosamente organizada. O mesmo pode acontecer com uma embalagem, um catálogo ou um material institucional. A escolha do papel e dos acabamentos deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a fazer parte da comunicação. Gramatura, textura e acabamento podem reforçar a proposta do material, desde que sejam escolhidos de acordo com sua finalidade e com a experiência que se pretende proporcionar ao público.
Em quais situações o impresso ainda é estratégico?
O material físico pode ser especialmente útil quando a informação precisa permanecer disponível por mais tempo ou quando o contato direto com o objeto contribui para a experiência. Cardápios, manuais, embalagens, materiais de apresentação, livros e peças promocionais são exemplos de aplicações que podem combinar informação e interação física. Em cada caso, o formato pode ser planejado de acordo com a frequência de uso, o público e as condições em que o material será manuseado.
Há também situações em que o impresso funciona como complemento de uma experiência digital. Um material pode apresentar um código para acesso a uma página, direcionar o leitor para um conteúdo específico ou reunir informações que posteriormente serão aprofundadas em uma plataforma online. Assim, os dois formatos passam a trabalhar juntos, destaca Dalmi Defanti. Essa integração permite aproveitar a presença física do papel sem abrir mão da praticidade e da possibilidade de atualização oferecidas pelos recursos digitais.
A escolha depende, portanto, da finalidade. Um documento consultado constantemente pode exigir características diferentes de uma peça criada para uma ocasião específica. Avaliar o público, o ambiente, a durabilidade necessária e a forma de utilização ajuda a definir se o papel realmente agrega valor. Quanto mais clara for a função do material, mais coerentes tendem a ser as decisões sobre formato, quantidade, acabamento e tipo de impressão.












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