Ernesto Kenji Igarashi parte da constatação de que a presença da mídia altera profundamente a lógica da segurança institucional. Em contextos de alta exposição midiática, a proteção de autoridades deixa de ocorrer apenas diante de riscos físicos objetivos e passa a lidar também com riscos simbólicos, reputacionais e narrativos. Cada movimento operacional pode ser registrado, interpretado e amplificado em tempo real, o que impõe novas camadas de complexidade à tomada de decisão.
A mídia transforma o ambiente em um espaço permanentemente observado. Câmeras e transmissões ao vivo, reduzem a margem de erro e elevam o impacto de qualquer ação de segurança. Nesse cenário, decisões técnicas passam a ser julgadas não apenas por sua eficácia operacional, mas pela forma como são percebidas por públicos diversos, muitas vezes sem acesso ao contexto completo da operação.
Exposição midiática como variável ativa do risco
Em ambientes de alta visibilidade, a mídia deixa de ser elemento externo e passa a integrar o próprio cenário de risco. A simples presença de câmeras modifica comportamentos, interfere no fluxo de pessoas e influencia reações do entorno. A segurança precisa considerar que cada posicionamento, deslocamento ou abordagem será potencialmente interpretado fora do contexto técnico que o justifica.
Ernesto Kenji Igarashi reconhece que ignorar essa variável amplia vulnerabilidades invisíveis. Uma ação correta do ponto de vista operacional pode gerar desgaste institucional se for percebida como excessiva, inadequada ou desproporcional quando recortada por imagens isoladas. Por isso, o planejamento precisa incorporar a exposição midiática como fator ativo de risco, e não como consequência secundária.
Ajuste da postura operacional diante das câmeras
A atuação da segurança em ambientes midiáticos exige postura diferenciada. Gestos, linguagem corporal e nível de ostensividade ganham peso adicional quando observados por múltiplos públicos. A proteção não pode se basear apenas na neutralização da ameaça, mas também na preservação da imagem institucional da autoridade e das equipes envolvidas.

Nesse sentido, Ernesto Kenji Igarashi elucida que o ajuste da postura operacional reduz riscos desnecessários. Controlar excessos visuais, evitar demonstrações de força sem necessidade objetiva e manter coerência entre ação e contexto ajudam a minimizar interpretações distorcidas. Esse cuidado não enfraquece a segurança, mas a torna mais estratégica em ambientes de exposição intensa.
Comunicação implícita e leitura do ambiente midiático
Mesmo quando não há fala direta com a imprensa, a segurança comunica. A forma como equipes se posicionam, como reagem a estímulos e como lidam com imprevistos transmite mensagens que podem reforçar ou fragilizar a percepção pública. Em ambientes midiáticos, a comunicação implícita se torna tão relevante quanto a ação técnica.
Ernesto Kenji Igarashi avalia que a leitura do ambiente midiático deve ocorrer em paralelo à leitura do risco físico. Identificar onde estão as câmeras, quais movimentos tendem a ganhar destaque e como determinadas imagens podem ser recortadas permite decisões mais conscientes. Essa leitura não busca controlar a narrativa, mas reduzir ruídos que comprometam a legitimidade da operação.
Proteção da autoridade e preservação institucional
A alta exposição midiática amplia o impacto de qualquer incidente, inclusive daqueles que não geram dano físico. Um deslocamento mal interpretado, uma contenção filmada fora de contexto ou uma falha de coordenação visualmente evidente pode produzir desgaste institucional duradouro. A proteção da autoridade, nesses casos, inclui a preservação de sua imagem pública e da estabilidade institucional que ela representa.
Ernesto Kenji Igarashi conclui que a segurança institucional madura compreende que proteger não significa apenas afastar ameaças imediatas. Significa também evitar situações que fragilizem a autoridade no campo simbólico. Em contextos de alta exposição midiática, a eficácia da proteção está diretamente ligada à capacidade de operar com discrição, controle e consciência do impacto público de cada decisão.
Autor: Anton Asmirnov











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