Sétima edição do programa reúne dez companhias do Paraná para desenvolver soluções em tecnologia, gestão de pessoas e sustentabilidade
Quem acompanha o ecossistema de inovação de Curitiba já deve ter notado que a cidade segue na rota de programas que conectam empresas tradicionais a startups, e a sétima edição do BRDE Labs Paraná é o exemplo mais recente desse movimento. A dúvida comum entre empreendedores que ouvem falar da iniciativa pela primeira vez costuma ser direta: como funciona, na prática, esse tipo de programa, e que tipo de empresa pode se beneficiar dele? Lançado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) em parceria com a Hotmilk, ecossistema de inovação ligado à Pontifícia Universidade Católica do Paraná, o programa reúne, em 2026, dez companhias paranaenses em uma jornada voltada à conexão com startups e ao desenvolvimento de soluções para desafios reais do setor produtivo.
O que é o BRDE Labs e qual é a proposta da edição 2026
O BRDE, em parceria com a Hotmilk, lançou em Curitiba a sétima edição do BRDE Labs Paraná, programa de inovação aberta que conecta empresas consolidadas a startups para desenvolver soluções voltadas a desafios reais do setor produtivo. O tema escolhido para 2026, batizado de Empresas do Futuro, organiza a programação em torno de três eixos centrais: tecnologia, pessoas e sustentabilidade. Segundo o diretor presidente do banco, Renê Garcia Junior, o programa parte da ideia de que o desenvolvimento econômico não depende apenas de crédito, mas também de conhecimento e de conexões capazes de transformar boas ideias em soluções aplicáveis ao mundo real. Essa visão orienta o desenho do programa, que combina diagnóstico, construção de desafios estratégicos e conexão direta com startups selecionadas. Paraná
O evento de lançamento aconteceu na Hotmilk, em Curitiba, e reuniu representantes das dez empresas participantes, colaboradores do banco e integrantes do ecossistema de inovação paranaense. Durante a programação, os participantes acompanharam uma palestra sobre megatendências do setor produtivo e ouviram relatos de empresas que já passaram pelo programa em edições anteriores. Esse formato de troca entre quem já viveu a experiência e quem está começando agora costuma ser citado pelos organizadores como um dos pontos fortes do BRDE Labs, já que ajuda a reduzir a distância entre o discurso sobre inovação e a aplicação prática dentro de empresas que, muitas vezes, nunca tiveram contato direto com startups.
Quais empresas participam e o que esperam do programa
A lista de participantes da edição 2026 inclui empresas de setores bem diferentes entre si, como alimentação, avicultura, engenharia, diagnóstico em saúde, fabricação de móveis, soluções em aerossol, moldes industriais, equipamentos para manejo bovino e componentes para motocicletas. Entre os nomes confirmados estão Apetit, Artis Matriz, Avenorte Avícola, Baston, Beckhauser, Caemmun, Intertechne, Magnetron, Pluma Agro Avícola e Sysmex, companhias sediadas em diferentes cidades do Paraná. Essa diversidade de setores é apontada pelos organizadores como uma forma de mostrar que a inovação aberta não é exclusividade de empresas de tecnologia, podendo beneficiar negócios tradicionais que enfrentam desafios concretos de produtividade, gestão ou sustentabilidade no dia a dia. Representantes de algumas dessas empresas relataram, durante o evento, expectativas específicas para a participação no programa.
Um dos exemplos citados foi o da Magnetron, empresa de São José dos Pinhais que fabrica peças para motocicletas e busca avançar especificamente em soluções de inteligência artificial aplicadas à produção. Já a Beckhauser, de Maringá, especializada em equipamentos para manejo bovino, participa pela primeira vez do programa e relatou interesse em aprender mais sobre o processo de inovação aberta, e não apenas em resolver um problema pontual do negócio. Esses relatos ajudam a ilustrar como o BRDE Labs busca equilibrar expectativas bastante diferentes entre as empresas participantes, que vão desde a busca por uma solução tecnológica específica até o interesse mais amplo em entender como funciona, na prática, a relação entre empresas tradicionais e o ecossistema de startups.
Como funciona a jornada de inovação aberta na prática
Depois da etapa de lançamento, cada empresa participante passa por um processo de diagnóstico que ajuda a identificar, com mais precisão, os desafios estratégicos que serão trabalhados ao longo do programa. A partir desse mapeamento, o BRDE Labs promove a conexão entre as empresas e startups capazes de apresentar soluções alinhadas às demandas identificadas, etapa considerada o núcleo do programa. Cada empresa participante conta ainda com o acompanhamento de dois colaboradores do banco, que atuam como uma espécie de padrinhos ao longo de toda a jornada, ajudando a manter o ritmo do processo e a fortalecer a relação entre a companhia e a instituição financeira.
Depois da fase de conexão, os projetos selecionados passam por etapas de validação e desenvolvimento, processo que pode resultar em soluções aplicadas diretamente na rotina das empresas participantes. Segundo o BRDE, o programa já impactou 67 organizações em 39 cidades paranaenses desde sua criação, recebendo mais de mil inscrições de startups ao longo das edições anteriores, das quais uma parte foi selecionada para a fase de imersão com as empresas. Esse histórico ajuda a explicar por que o programa é citado como uma das principais iniciativas de inovação aberta do estado, funcionando como ponte entre o setor produtivo tradicional e um ecossistema de startups que, em Curitiba, já é reconhecido nacionalmente.
O BRDE Labs 2026 ainda está em fase inicial, com as dez empresas participantes começando agora o processo de diagnóstico que vai orientar toda a jornada até o fim do programa. Para quem acompanha o setor produtivo paranaense, o caso serve como exemplo prático de como bancos de desenvolvimento podem atuar além do crédito tradicional, ajudando a aproximar empresas consolidadas de soluções criadas por startups. Nos próximos meses, a expectativa é que os primeiros resultados concretos dessa conexão comecem a aparecer, oferecendo uma resposta mais clara sobre o impacto real desse tipo de programa na competitividade das empresas paranaenses.
Fontes: Agência de Notícias do Paraná
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
Categoria: Brasil
Plano contra o El Niño: o que Curitiba e a região metropolitana estão fazendo para evitar desastres em 2026 e 2027
Prefeitos de dez municípios se reúnem para alinhar ações de prevenção diante da previsão do maior El Niño em 140 anos
Quem mora em Curitiba ou em municípios vizinhos como Araucária, Colombo e Pinhais já está acostumado com episódios de chuva forte e alagamentos pontuais, mas a previsão para o período entre 2026 e 2027 chama atenção por um motivo específico: especialistas apontam que o fenômeno El Niño deste ciclo pode ser o mais intenso dos últimos 140 anos. Diante desse cenário, a dúvida que fica para a população é prática: o que o poder público está fazendo, de fato, para reduzir os riscos de desastres naturais na região metropolitana? Na última terça-feira, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, reuniu prefeitos de nove municípios do primeiro anel metropolitano para apresentar e discutir o Plano Estratégico de Enfrentamento ao El Niño 2026/2027, documento que organiza as ações de prevenção entre os municípios vizinhos.
O que é o Plano Estratégico de Enfrentamento ao El Niño e por que ele foi criado agora
O encontro entre os prefeitos aconteceu no Palácio 29 de Março e teve a participação de representantes de nove municípios do primeiro anel da Região Metropolitana de Curitiba, além de secretários e diretores dos órgãos que integram o comitê gestor especial responsável por coordenar as ações de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos. Durante a reunião, o prefeito Eduardo Pimentel reforçou que a previsão para o El Niño deste ciclo aponta para um fenômeno particularmente intenso, o que motivou a decisão de tratar o tema de forma coletiva, e não apenas dentro dos limites de cada município isoladamente. A lógica por trás dessa articulação é simples: chuvas fortes e ventos não respeitam fronteiras administrativas, e uma resposta fragmentada tende a ser menos eficaz do que uma estratégia compartilhada entre cidades vizinhas que enfrentam riscos parecidos. curitiba
Segundo a Prefeitura de Curitiba, os municípios que integram a região metropolitana já vêm adotando, individualmente, medidas como limpeza de rios e galerias e obras de drenagem, mas a proposta apresentada na reunião busca dar mais consistência a esse trabalho, evitando que ações importantes fiquem restritas a um único município enquanto seus vizinhos seguem mais vulneráveis. Para custear eventuais emergências, Curitiba conta com o Fundo de Recuperação e Estabilização Fiscal, que reúne atualmente cerca de R$ 173 milhões destinados a situações de desastres naturais, recurso que pode ser mobilizado rapidamente caso a previsão de um El Niño mais intenso se confirme nos próximos meses.
Quais ações estão sendo tomadas por Curitiba e os municípios vizinhos
Durante o encontro, o coordenador da Defesa Civil de Curitiba apresentou um panorama sobre os impactos esperados do fenômeno e sobre a forma como o comitê especial de enfrentamento está organizado, explicando o papel de cada órgão envolvido na resposta a emergências. A ideia defendida pela Defesa Civil é que o trabalho de prevenção, e não apenas a resposta emergencial após um desastre já instalado, seja o foco principal da atuação nos próximos meses. Isso inclui manutenção preventiva de galerias pluviais, monitoramento de pontos historicamente sujeitos a alagamento e orientação à população sobre comportamentos de segurança durante temporais. Representantes da Defesa Civil estadual também participaram da reunião, reforçando a importância de unir esforços entre municípios antes da chegada efetiva dos períodos de chuva mais intensa.
Participaram do encontro prefeitos de cidades como Araucária, Campo Largo, Campo Magro, Colombo, Pinhais e Piraquara, além de representantes de São José dos Pinhais, Quatro Barras e Almirante Tamandaré, municípios que formam o primeiro anel da região metropolitana de Curitiba. A presença direta de tantos prefeitos sinaliza que o tema é tratado como prioridade política, e não apenas como pauta técnica restrita às secretarias de meio ambiente ou defesa civil de cada cidade. Também estiveram presentes representantes de órgãos municipais de Curitiba ligados a obras públicas, segurança alimentar, trânsito e planejamento urbano, o que reforça o caráter intersetorial das ações previstas no plano apresentado durante a reunião.
O que isso significa na prática para quem vive na região metropolitana
Para o morador da região metropolitana de Curitiba, a existência de um plano formal de enfrentamento ao El Niño não elimina o risco de transtornos durante períodos de chuva intensa, mas pode significar uma resposta mais rápida e coordenada quando esses episódios acontecerem. Na prática, isso envolve desde a limpeza preventiva de bueiros e galerias até a disponibilidade de recursos financeiros já reservados para emergências, como o fundo mantido por Curitiba, que permite agir rapidamente sem depender de uma negociação orçamentária feita às pressas no meio de uma crise. A expectativa da Defesa Civil é que, ao reforçar esse tipo de preparação, seja possível reduzir tanto o número de ocorrências graves quanto o tempo de resposta em casos de alagamento, queda de árvores ou deslizamentos.
Vale lembrar que a previsão de um El Niño mais intenso não significa, necessariamente, que cada chuva vai gerar uma emergência, mas sim que a probabilidade de eventos climáticos extremos tende a aumentar ao longo do período entre 2026 e 2027. Por isso, especialistas em defesa civil costumam reforçar a importância de a própria população ficar atenta a alertas oficiais e evitar áreas de risco durante temporais, já que nenhuma estrutura de prevenção elimina totalmente a necessidade de cuidado individual. Acompanhar comunicados da Defesa Civil municipal e estadual, especialmente em dias de chuva forte, segue sendo a orientação mais direta para quem mora em Curitiba ou em qualquer um dos municípios vizinhos envolvidos no plano apresentado nesta semana.
O Plano Estratégico de Enfrentamento ao El Niño 2026/2027 ainda está em fase de articulação entre os municípios da região metropolitana, mas a reunião realizada nesta semana já deixa claro que o tema entrou de forma definitiva na agenda política local. Nos próximos meses, a expectativa é que as ações apresentadas se traduzam em obras concretas de drenagem, reforço das equipes de defesa civil e comunicação mais clara com a população sobre riscos e comportamentos de segurança. Para quem vive na região, acompanhar esse processo pode ser decisivo para entender, com antecedência, como a cidade pretende se preparar para um período que, segundo as próprias autoridades, deve trazer desafios climáticos fora do padrão histórico recente.
Fontes: Prefeitura de Curitiba
Autor: Diego Rodríguez Velázquez












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