Atendimento domiciliar amplia o cuidado de idosos com limitações funcionais, segundo Yuri Silva Portela 

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Para pacientes idosos que apresentam mobilidade bastante reduzida, o deslocamento até uma unidade de saúde pode se tornar mais desafiador do que o próprio problema de saúde que motivou a consulta. Doutor Yuri Silva Portela, com pós-graduação em geriatria, observa que, nesse caso, o atendimento domiciliar se torna estratégia assistencial reconhecida oficialmente, não mais exceção.

Em 2026, o Ministério da Saúde passou a regulamentar o Padi, o Programa de Atenção Domiciliar, que consiste na estruturação de uma equipe multiprofissional capaz de acompanhar, no domicílio do paciente, pessoas com limitações funcionais significativas, em colaboração com a Atenção Primária à Saúde.

A proposta visa ampliar a possibilidade de acompanhamento para pessoas que enfrentam barreiras concretas de deslocamento, considerando que o acesso ao cuidado também depende das condições em que o paciente vive. Para obter mais informações, leia o artigo, que explica como funciona a atenção domiciliar à pessoa idosa e em quais situações esse modelo pode fazer parte do cuidado.

Decisão sobre assistência domiciliar vai além da idade do paciente  

Pacientes restritos ao leito ou ao domicílio, com dificuldade extrema de locomoção, e aqueles que dependem de múltiplos deslocamentos frequentes para diferentes especialidades costumam se beneficiar mais diretamente dessa modalidade. Doutor Yuri Silva Portela destaca que a decisão não depende apenas da idade do paciente, mas do grau real de limitação funcional que compromete o deslocamento seguro até um serviço de saúde tradicional. Também devem ser consideradas as condições clínicas e o suporte disponível no ambiente doméstico.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Recuperação pós-cirúrgica prolongada, condições crônicas em estágio avançado e necessidade de acompanhamento multiprofissional frequente também podem justificar essa modalidade, especialmente quando o transporte até o serviço representa risco adicional à segurança do paciente. Nesses casos, a assistência no domicílio pode facilitar a continuidade do acompanhamento e reduzir deslocamentos que poderiam comprometer o bem-estar e a adesão ao cuidado.

A presença da família no atendimento domiciliar potencializa o cuidado ao idoso

O programa prevê equipes que reúnem médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais, atuando de forma integrada junto às equipes de Saúde da Família já responsáveis pelo acompanhamento territorial do paciente. Essa composição permite identificar, em um mesmo atendimento domiciliar, diferentes necessidades que dificilmente seriam percebidas em consultas isoladas e fragmentadas.

Doutor Yuri Silva Portela pondera que a avaliação realizada dentro da própria casa do paciente revela informações relevantes sobre segurança do ambiente, dinâmica familiar e adaptações necessárias, aspectos que uma consulta tradicional em consultório dificilmente capta com a mesma profundidade. A observação direta também pode contribuir para ajustar orientações à realidade do idoso e de sua família.

  • Avaliação do ambiente: permite identificar obstáculos, riscos de quedas e necessidades de adaptação no espaço onde o idoso vive.
  • Cuidado integrado: diferentes profissionais conseguem compartilhar informações e alinhar condutas de acordo com as necessidades apresentadas.
  • Participação da família: a presença dos familiares durante o atendimento facilita orientações sobre rotina, cuidados e continuidade do acompanhamento.

Atenção domiciliar deve ser direcionada a indivíduos com limitações funcionais comprovadas

Esta modalidade não representa uma substituição integral do acompanhamento prestado em unidades de saúde, atuando como um complemento destinado especificamente aos indivíduos que apresentam limitações funcionais relevantes e comprovadas. A efetividade do recurso está diretamente relacionada à identificação precisa de seus beneficiários, de modo a evitar tanto a subutilização quanto a indicação inadequada.

O Dr. Yuri Silva Portela assegura que o cuidado domiciliar constitui um componente de uma rede assistencial mais extensa, e sua indicação deve sempre levar em conta as necessidades específicas de cada paciente, avaliadas por profissionais qualificados no âmbito da Atenção Primária à Saúde.

Quando devidamente integrado aos demais serviços, o atendimento domiciliar pode reduzir barreiras de acesso e favorecer a continuidade do cuidado. Além de levar consultas para dentro de casa, a proposta considera as condições concretas em que o idoso vive e busca adaptar a assistência às limitações que interferem em seu acompanhamento.